EXPOSIÇÃO – FERNANDO MORGADO – MEMÓRIAS NASCIDAS NO BARRO

Quando:
5 Fevereiro, 2022@3:30 pm_3 Abril, 2022@5:30 pm
2022-02-05T15:30:00+00:00
2022-04-03T17:30:00+01:00
Onde:
Museu de Olaria
Custo:
Grátis
Contacto:
Museu de Olaria
253 824 741
EXPOSIÇÃO - FERNANDO MORGADO – MEMÓRIAS NASCIDAS NO BARRO @ Museu de Olaria

Nascido em Galegos (Santa Maria), no dia 15 de outubro de 1927, filho de Américo Morgado e de Ana de Jesus Correia de Abreu, ambos mestres artesãos nas artes de moldar o barro. As suas origens foram o motor para que, desde a sua meninice, o barro se tenha tornado uma presença constante na sua vida. A sua longa história conta hoje com 94 anos, plenos de aventuras, tantas, que temos de as peneirar um pouco para mergulhar no verdadeiro espírito do barrista.

O seu percurso no barro começa aos 12 anos, para ajudar a família. Assim, vai trabalhar por conta de dois irmãos mais velhos, na pintura de peças de figurado e louças que seriam vendidas em feiras. Somou experiência e, pouco tempo depois, começa a ser chamado por outros barristas da região para pintar artigo, ganhando à peça. Foi nesta fase da sua vida que, não raras vezes, pintou galos de Barcelos para Domingos Coto, conhecido mestre do artesanato de Barcelos e, muito provavelmente, o primeiro a fazer o Galo de Barcelos na roda de oleiro. Aos 24 anos, corria o ano de 1952, emigrou para o Brasil, onde se junta a um irmão, com quem vai trabalhar numa fábrica de cerâmica no município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Neste local, mais precisamente em 1954, pouco antes de se estabelecer por conta própria, fez a sua primeira peça de figurado – o busto de seu pai. Todavia, até que volte a produzir figurado irão passar várias décadas. Foi ainda neste ano que fundou com o seu irmão a empresa de decoração “Cerâmica Artística e Regional”, dedicando-se à produção de filtros para água, vasos e outras cerâmicas decorativas. O falecimento do seu pai em 1962 precipitou o seu regresso a Portugal no ano seguinte, porém não o fez sem antes casar com Palmira Duarte Silva, também ela portuguesa, de Viseu, e emigrada no Brasil.

De volta a Barcelos, foi novamente o barro que lhe concedeu meios para sustentar a sua família e criar 5 filhos, através da fundação da empresa de “Decorações Canta Galo”, que laborou entre 1963 e 1990, na produção de louças e cerâmica decorativa. O fim da sua atividade empresarial, no exigente ramo da cerâmica, foi ditado por motivos de saúde. Assim, passou à condição de reformado, porém esta não lhe tirou o gosto pelo barro, antes pelo contrário, motivou a sua dedicação em exclusivo à sua arte de coração – o Figurado, passando a criar peças que retratam o mundo que o rodeia, como por exemplo motivos religiosos, folclore, profissões, cenas do mundo rural e muitas tradições. Pode mesmo afirmar-se que é um dos artesãos de Barcelos que melhor retrata a temática das tradições e do mundo rural no Minho. É um trabalho único, todo ele realizado manualmente, cozido, pintado à mão, e amplamente marcado pela expressividade que transmite, assim como pela utilização de tons da natureza onde predominam cores pastel.

Hoje, conserva em sua casa, que se situa mesmo ao lado daquela onde nasceu, no início do século XX, centenas de criações que refletem as duas últimas décadas, altura em que o barro, nas suas mãos, passou a contar histórias, que são do mais puro Figurado de Barcelos. Neste dealbar de 2022 e com 94 anos, Fernando Morgado, que nasceu com o barro e dele fez a sua forma de vida, já não produz o seu tão amado figurado, que de resto deixou de produzir em 2019, quando as mãos cederam às vontades da idade. Porém, a criatividade, somada às inopinadas memórias e resiliência, permanece absolutamente intacta. Há não muito tempo, no decurso de uma entrevista, quando questionado sobre qual a frase que melhor o caracterizava enquanto homem ligado à olaria, respondeu “NÓS NASCEMOS DO BARRO E COM CERTEZA MORREMOS NO BARRO”.

 

 

Produção da Exposição