Uma Geração de Baraças ligada pelo barro

 

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UMA GERAÇÃO DE BARAÇAS LIGADA PELO BARRO

A geração Baraça tem início com Ana Lopes Gonçalves Valada, conhecida como Ana Baraça, cuja vida e obra foi reconhecida publicamente pelo Estado Português, a 8 de março de 1985, sendo condecorada pelo Presidente da República com o grau de Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique.

A arte de trabalhar ao barro passou-a ao filho Fernando e à filha Rosalina. A mestria continua com os netos, primeiro Carlos, hoje com Vítor e Moisés. Dos temas tradicionais, com especial incidência no mundo rural, na religião e na festa, surgem hoje novas abordagens.

Uma geração de Baraças ligada pelo barro, com mais de uma centena de peças, esteve patente ao público no Museu de Olaria até 31 de dezembro de 2018.

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Exposição Pelas Mãos de Côta

O Museu de Olaria inaugurou no dia 4 de fevereiro de 2017 as exposições “Geração Côta” e “Pelas Mãos de Côta” no âmbito da 2ª mostra do Ciclo de Exposições dedicado às famílias mais carismáticas do artesanato figurativo barcelense.

Num universo de 139 peças de figurado, a exposição “Geração de Côta” contou com peças de Júlia Côta, Rosa Côta e Prazeres Côta pertencentes ao acervo do Museu de Olaria e da coleção particular de Prazeres Côta, entre músicos e coretos, presépios, cabeçudos, bonecas, bois, santos populares, anjos, diabo, mochos entre outros.

A exposição “Pelas Mãos de Côta”,  contou com 75 peças na sua maioria da coleção particular de Júlia Côta, desde músicos, bonecas, bois, centros de mesa, presépios grandes e pequenos, coretos, juntas de bois, numa variedade de artesanato figurativo com apitos em muitas das peças que apresenta.

Exposição Geração Côta

O Museu de Olaria inaugurou a 4 de Fevereiro de 2017 duas exposições “Geração Côta” e “Pelas Mãos de Côta” no âmbito da 2ª mostra do Ciclo de Exposições dedicado às famílias mais carismáticas do artesanato figurativo barcelense.

Num universo de 139 peças de figurado, a “Geração de Côta” contou com peças de Júlia Côta, Rosa Côta e Prazeres Côta pertencentes ao acervo do Museu de Olaria e da coleção particular de Prazeres Côta, entre músicos e coretos, presépios, cabeçudos, bonecas, bois, santos populares, anjos, diabo, mochos entre outros.

A exposição “Pelas Mãos de Côta”, contou com 75 peças na sua maioria da coleção particular de Júlia Côta, com uma variedade de artesanato figurativo, desde músicos, bonecas, centros de mesa, diversos presépios, coretos e juntas de bois. 

YOLA VALE | Fragmentos Suspensos: Inquietudes

A Sala da Capela do Museu de Olaria recebeu no dia 01 de outubro de 2016 a exposição de cerâmica “Fragmentos Suspensos: Inquietudes” da artista Yola Vale.

Neste seu mais recente trabalho, através de uma série de murais fragmentados, suspensos por delicados fios, a artista explorou os limites da cerâmica, remetendo-nos para o universo da tapeçaria ou da armadura oriental, num constante equilíbrio entre a fragilidade dos fragmentos e a robustez do material.

Os pontos de partida dos trabalhos de Yola Vale são os mais diversos, procurando inspiração nas viagens que realiza ou simplesmente na natureza. Inquieta-se com todos os problemas do mundo atual, refletindo e materializando as suas dúvidas e preocupações no próprio trabalho.

Yola Vale nasce no ano de 1975, em Espinho. Concluiu a licenciatura em Escultura na Universidade das Artes de Coimbra – ARCA|EUAC em 1999, ano em que partiu para Cabo Verde como docente das disciplinas de desenho e geometria descritiva durante dois anos. Em 2001, mudou-se para Proença-a-Nova onde ainda hoje tem o seu atelier. Desde então, tem sido promotora de inúmeros cursos e workshops de cerâmica ao nível da iniciação, modelação, ou murais cerâmicos, dedicando especial atenção à técnica do rakú. Participa regularmente em exposições, simpósios e bienais internacionais e as suas obras estão representadas em diversas coleções públicas e privadas.

 

Workshop |Pintura de Galos

WORKSHOP | PINTURA DE GALOS

O Museu de Olaria realizou no dia 2 de julho de 2016  a 1.ª sessão do workshop de Pintura de Galos, dinamizado pelas artistas plásticas Maria José Machado e Sandra Longras, com atividades de criação/intervenção artística, no domínio da pintura, em galos tradicionais, inspirados nos artistas plásticos contemporâneos, Cruzeiro Seixas, José de Guimarães e Armanda Passos.

Exposição Júlia Ramalho 60/70

Na Sala da Capela do Museu de Olaria esteve patente a exposição Júlia Ramalho 60/70,  iniciativa que assinalou os 60 anos de carreira e 70 de idade da barrista Júlia Ramalho, neta e discípula de Rosa Ramalho.

Júlia Ramalho começou a modelar bonecos de barro aos 10 anos de idade. Lado a lado com a avó bem cedo mostrou veia criadora e apreciada técnica. Não teve vida fácil mas com persistência conseguiu o reconhecimento da sua obra e revelar-se digna sucessora do nome e dos pergaminhos da arte da avó.

Evocando uma riquíssima tradição familiar, o Presidente da República de Portugal saudou esta iniciativa do Museu de Olaria de Barcelos com a exposição dedicada à Geração Ramalho, representada também pela neta e discípula de Rosa Ramalho, a barrista Júlia Ramalho, cujo talento confirma a qualidade de mais uma geração da família Ramalho, e a quem agradece o contributo nacional de tão notável exemplo de arte popular portuguesa.

Exposição Geração Ramalho

Na sala de exposições temporárias esteve patente a exposição Geração Ramalho que reuniu peças de três gerações, com alguns dos trabalhos mais representativos de Rosa Ramalho – a mais conhecida e famosa barrista de Barcelos (1888-1977); da sua neta – Júlia Ramalho, nascida em 1946; e dos filhos de Júlia e netos de Rosa – António e Teresa.

A família Ramalho contribuiu de forma indelével para a construção da identidade da olaria local e nacional onde a Arte do Figurado dos Ramalho se apresenta na sua multiplicidade de interpretações singulares.

J. R. Faria A Face Oculta

O Museu de Olaria foi o palco escolhido para a apresentação do livro “Face Oculta”, da autora Joana Gabriela Rocha Faria.
A sessão de lançamento, realizada no dia 12 de março,  teve como orador convidado o jornalista Alberto Serra e de um representante da editora Chiado.

Nascida em 1983, Joana Gabriela da Rocha Faria é conhecida por ser detentora de uma imaginação sem limites. Apesar de na escola sempre se ter destacado nas áreas das ciências e na matemática, descobriu o prazer da leitura com os livros de J.K.Rowling. Foi nessa altura que a leitura passou a fazer parte do seu dia-a-dia. Formada em engenharia, mostra-nos, com a apresentação de “Face Oculta”, que a sua veia mais artística perdura no tempo.
Começou a escrever o seu primeiro romance de ficção em 2005. Dez anos depois, apresenta-nos uma nova história com Alexis O’Hara, residente na nostálgica cidade de Londres no ano de 2045. Uma cidade onde as problemáticas atuais como as desigualdades sociais, os crimes, a instabilidade económica, a fome, pertencem ao passado. Neste mundo, aparentemente perfeito, o ser humano alcança um dos seus maiores desejos, a longevidade acima dos 100 anos em todos os países do mundo. No entanto, rapidamente surge uma situação negligenciada por quase todos, o planeta Terra torna-se pequeno para tanta população. A vida da protagonista desta apaixonante história muda drasticamente quando a curiosidade de Alexis a leva a um submundo, onde se perdem os limites entre o bem e o mal, o certo e errado. As escolhas de Alexis condicionarão a vida de milhões de pessoas inocentes, o futuro do planeta e a sua própria vida.

Workshop | Oficina Permanente “Universos”

UNIVERSOS
OFICINA PERMANENTE
Na Exposição “Desnorteado”, o autor Heitor Figueiredo convida a “sair do abstracto para encontrar formas de barcos, naves e comboios, e através delas viajar pelo mundo colorido da fantasia”. É um convite ao contacto com o imaginário de cada um, alicerçado em memórias de infância ou imagens (im)possíveis de um universo fantasioso. Na Oficina Permanente “Universos” que acompanhará a exposição lançamos o desafio para a experimentação e pesquisa de formas, de novas formas, imaginadas ou reais, de inspiração momentânea pelo contacto com a obra do autor ou por inspiração de um universo fantasioso testemunha da capacidade de imaginar inerente a todo o Ser Humano. É uma oficina espontânea e permanente (dentro do horário da exposição) onde o visitante tem à disposição um conjunto de materiais que convidam à livre criação. Caso pretenda o visitante poderá trazer para o contexto da criação outros materiais que considere adequados.

AS PEÇAS
As peças realizadas no âmbito da Oficina Permanente “Universos” serão propriedade dos seus autores. Poderão ser expostas no espaço destinado para o efeito ou os autores poderão levar as peças consigo no final da visita à exposição. Neste caso convidamos os autores a enviarem para o museu uma fotografia da sua peça, através do e-mail: servicoeducativo@cm-barcelos.pt

HORÁRIO
30.Janeiro a 29.Março.2016
Oficina permanente de criação livre
Terça a Sexta-feira: das 10:00h às 17:00h
Sábado e Domingo: das 10:00h às 12:00h e das 14:00h às 17:00h

NOTA
A Oficina Permanente “Universos” está aberta a todos os visitantes, independentemente da idade. Crianças até aos 14 anos devem ser acompanhadas por um adulto.

Heitor Figueiredo

O Museu de Olaria de Barcelos abriu as portas à arte de Heitor Figueiredo com a exposição “DESNORTEADO: uma viagem ao universo da imaginação e da fantasia”. 
O artista, que diz ter tido “as melhores recordações da cidade de Barcelos, especialmente das feiras fantásticas (onde a presença dos barros é obrigatória)”, e dos sabores da gastronomia do concelho, afirma que esta exposição só podia chamar-se DESNORTEADO porque só este título fazia sentido: “Perdi o norte, (onde nasci) há algum tempo e rumei ao sul, e recordo-me quando era ainda estudante,  de ouvir dizer, amavelmente, que as pessoas que seguiam artes eram DESNORTEADAS.”

Heitor Figueiredo é um ceramista português nascido na cidade de Braga, em 1952. Frequentou a Escola de Belas Artes e os curso da Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis e da Cooperativa Árvore, no Porto. Atualmente reside no Alentejo, onde se instalou há vários anos e onde foi fundador do Núcleo de Artes Visuais de Aljustrel.
Com as suas obras de arte, Figueiredo convida-nos a “sair do abstrato para encontrar formas de barcos, naves e comboios, e através delas viajar pelo mundo colorido da fantasia”. Ou seja, o artista “transporta-nos para um mundo de fantasia, pouco comum nos adultos. Um universo onde a imaginação é rainha e tudo é possível, desde as formas tão características do autor à sua extraordinária paleta de cores a que já nos habituou1.”
“São construções de pequena, média e grande estatura, arranha-céus inclusive, e objectos presos por um fio, na corda do arame! Mas o tempo, por outro lado, é também, para Heitor, um dos factores determinantes (os outros, também são conhecidos e actuam como aliados naturais, as humidades, a poluição…) no processo histórico de qualquer edificação e da sua própria reabilitação, porque deixa marcas profundas: corrói a cor, destrói os acabamentos, cria todo o tipo e mazelas/texturas2.”
“As cerâmicas de Heitor Figueiredo não respondem habitualmente à prévia identificação de uma forma com determinada função. Os objectos que cria podem ter várias utilidades. Interessa -lhe interrogar o espectador para que seja ele a atribuir uma função a esse objecto3.”

Com um vasto currículo, Heitor Figueiredo realizou, entre outros, um estágio de cerâmica no CENCAL (Caldas da Rainha) com os ceramistas Erich Hebberling, Francis Behets, Senya Sonob, Xoan Viqueira, e Yuji Terashirna.
Participou no X Simpósio de Esculturas em Terra, Oficinas do Convento, em Montemor-o-Novo e na Oficina Experimental Forno-Escultura com os ceramistas Nina Hole e Claus Hansen, na cidade de Montemor-o-Novo. Também esteve presente na Feira Internacional de cerâmica Milenium, em Amesterdão, nos Países Baixos.
Colaborou no II Simpósio de Esculturas em terra, Habitar 2001, Montemor-o-Novo. Participou no Simpósio Internacional de Cerâmica no Falmouth College of Arts, em Falmouth, na Inglaterra. Participou na sétima Beca Alfonso Arisa, La Rambal.
Em 2005, recebeu o Prémio Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro.

Workshop Presépios em Barro

WORKSHOP | PRESÉPIOS EM BARRO
Com Joaquim Esteves

Faz parte da tradição de várias culturas durante a quadra natalícia terem nas suas casas um presépio. Conta a história que o primeiro presépio do mundo foi apresentado por São Francisco de Assis em 1223. Nesse ano, São Francisco de Assis não festejou a noite de Natal na Igreja, como era habitual, mas sim em Greccio, onde fez uma encenação do nascimento de Jesus com figuras humanas e animais, com o objetivo de transmitir e partilhar o momento com todos aqueles que não entendiam o mistério do Natal

Esta tradição rapidamente se espalha por entre as principais Catedrais, Igrejas e Mosteiros da Europa durante a Idade Média. Contudo, foi apenas no Século XVIII que a tradição do presépio no mundo católico ganha mais força.

A representação etnográfica da Natividade ao longo dos tempos passa a ser apresentada de diversas formas e materiais, com mais ou menos cores, de maior ou de menor dimesão, com mais ou menos figuras. Tudo depende da criatividade de cada um e da sua interpretação sobre o que significa o Natal. Por isso, o Museu de Olaria assinalou a quadra natalícia com a realização do Workshop Presépios em Barro, desenvolvido em duas sessões, dirigidas pelo barrista barcelense Joaquim Esteves, onde cada participante modelou e pintou o seu próprio presépio.

Workshop Vacceart

 VACCEARTE apresentada no Museu de Olaria de Barcelos em 2015, com o figurado cerâmico, fenómeno da cultura local tão presente e marcante na história da região.
A representação da fauna, já constatada em finais do século XIX, continua a marcar a atividade dos barristas de Barcelos, quer como representação do real (fauna local), quer como representação de um imaginário, muito querido na expressão artística dos barristas barcelenses. Cabras, sardões, lagartos, porcos, ouriços, pássaros, galos… – representações da fauna com que o artesão barrista contacta no seu quotidiano – e monstros, bichos, figuras híbridas – metade gente metade animal, que dizem respeito ao bestiário, fruto do imaginário e da leitura crítica do real, continuam a constituir temática importante na produção de Figurado de Barcelos, reflexo da herança cultural familiar destes barristas.
No âmbito desta exposição e dada a proximidade dos tratamentos da temática do Bestiário, decorreu um workshop em que barristas de Barcelos foram convidados a interagir com artistas e artesãos contemporâneos, participantes na exposição VACCEARTE para, em conjunto, refletissem e expressassem plasticamente as suas aproximações ao tema.

Dia de S. Martinho no Museu de Olaria

O Museu de Olaria no dia 11 de novembro vai comemorar o Dia de São Martinho.

Diz a tradição que neste dia “assam-se as castanhas e prova-se o vinho…”.

O assador de castanhas é uma peça emblemática do Olaria de Barcelos, ainda produzida atualmente em várias oficinas do concelho, no entanto, desconhecida para algumas crianças e jovens.

Neste contexto festivo, o Museu de Olaria convida a comunidade escolar a participar nesta atividade que pretende dar continuidade a esta importante tradição.
Com castanha assada num assador de barro e uma atividade prática na oficina do Serviço Educativo e de Animação, os alunos têm a oportunidade de pintar e decorar um mini assador de barro.

MARCAÇÕES:
Inscrição obrigatória e gratuita.
Esta atividade destina-se, exclusivamente, ao público escolar.

8º Exposição de Arte Contemporânea de Inspiração Vaccea

A Sala da Capela do Museu de Olaria foi um dos locais escolhidos para receber, de 14 e novembro de 2015 a 10 de janeiro de 2016, a exposição VacceArte.
A mostra expositiva VacceArte, organizada pelo Centro de Estudios Vacceos “Frederico Wattenberg” da Universidade de Valladolid em colaboração com a Associação Portugal à mão, teve como objetivo fazer chegar a todos o património cultural que encerra a Zona Arqueológica de Pintia em Padilla de Duero/Peñafiel (Valladolid). Visou dar a conhecer a cultura pré-romana muito presente e marcante na Península Ibérica e teve como principal objetivo recuperar a memória do povo vacceo que proporcionou, desde há 2500 anos, algumas das marcas de identidade mais genuínas do espaço central da bacia do Douro.

Esta exposição que iniciou no Museu do Côa e esteve patente em Barcelos, teve como temática principal o Bestiário Vacceo.
Num desafio difícil mas deveras motivador, estabeleceu-se nesta exposição um diálogo entre dois mundos diferentes – o académico e o dos artistas – o primeiro aqui consubstanciado pela narrativa discursiva dos arqueólogos ilustrada pelos achados arqueológicos das escavações da região de Tarragona, e o segundo, os dos artistas/artesãos, ilustrado com peças representativas do bestiário.

Ainda na busca desta relação entre o bestiário vacceo e o Figurado de Barcelos, decorreu no período da exposição um workshop, em que os barristas de Barcelos e artistas convidados, interpretaram, em conjunto, peças relacionadas com a temática da exposição.

 

António Vasconcelos Lapa

 

A Sala da Capela do Museu de Olaria recebeu, entre 25 de julho e 18 de outubro, a exposição temporária “Cerâmica Contemporânea” do ceramista António Vasconcelos Lapa.

António Vasconcelos Lapa, reconhecido artista das artes plásticas nacionais e internacionais, é professor do curso de Cerâmica do Instituto de Arte, Design e Empresa – IADE e professor de Educação Visual e Tecnológica do 2.º Ciclo do Ensino Básico.

Esta exposição permitiu ao visitante uma viagem ao fantástico mundo vegetal e animal através de peças de cerâmica cuja base de execução é o grés (vidrado) e o barro (polido), aos quais são adicionados outros materiais.

 

Férias de Verão no Museu de Olaria | 2015

PROGRAMA DE ATIVIDADES

FÉRIAS DE VERÃO NO MUSEU DE OLARIA | 2015 

 

As férias de verão estão quase a chegar, e com elas chegam também os Ateliês e Minicursos do Serviço Educativo e de Animação do Museu de Olaria. Se queres aproveitar bem as tuas férias, e tens entre 6 e 12 anos, vem viver esta experiência.

Inscreve-te já!

 

Ateliês temáticos

16 a 30 de junho | 10H00 – 12H00

Preço por participante: 1, 10 € / ateliê

Inscrição individual

 

16 de junho | Ateliê Peddy papper e oficina de modelagem

A visita ao Museu é algo fascinante, que fica para sempre na nossa memória. Num percurso divertido pelo Museu, vem descobrir o mundo do Figurado e da Olaria.

 

17 de junho | Ateliê Modelagem em barro

Neste ateliê, usa a criatividade e o teu lado artístico para modelares a tua peça de barro. Depois de cozida no forno, vais poder pintá-la no Museu ou em casa.

 

18 de junho | Ateliê Roda de Oleiro

Nesta atividade, é na roda de oleiro, onde o barro gira e volta a girar, que vais poder criar peças em barro com formas surpreendentes. Atreve-te a experimentar!

 

19 de junho | Ateliê Pintura de azulejo

Vem aprender a pintar um azulejo, quais os materiais que deves utilizar, e como podes dar ainda mais brilho ao teu trabalho. Vais ficar surpreendido com o resultado.

 

23 de Junho | Ateliê de Instrumentos Musicais em Barro

Para comemorar o Dia Europeu da Música, vem conhecer os instrumentos musicais de barro. No final, podes dar cor a um cuco e/ou a um rouxinol fornecidos pelo Museu.

 

24 de junho | Ateliê Pintura em tela

Para este ateliê, convidamos as cores, as formas, as texturas e os pincéis para com eles fazeres uma tela divertida, com movimento, cor e alegria.

 

25 de junho | Ateliê Vamos aprender a fazer pão

Neste ateliê vais aprender a fazer pão, amassando-o numa “confeiteira” de barro. Depois de cozido, vais poder saborear o teu pão … bem quentinho.

 

26 de junho | Ateliê Pintura de peças

Neste ateliê tens de dar asas à tua imaginação, ser criativo e pintar as tuas peças de barro ou outras peças fornecidas pelo Museu.

 

30 de junho | Ateliê de Colagens

Vamos reciclar! Vem partilhar connosco ideias para transformar as revistas e os jornais em trabalhos muito bonitos e originais. Atreve-te a experimentar!

Minicursos

1 a 31 de Julho

Terça a sexta-feira | 10H00 – 12H00

Inscrição individual | Entrega de certificado de participação

 

1, 2 e 3 de julho | Minicurso Bijuteria em Barro

O uso da bijuteria é bastante antigo. “Naquele tempo….”

Neste Minicurso, vais ficar a conhecer o resto da história que temos para te contar e vais aprender a fazer peças de bijuteria artesanal, que depois podes usar ou oferecer.

Preço por participante: 3,30€/ Minicurso

 

7 e 8 de julho | Minicurso Com as Mãos no Barro 

Como sabes, o barro é uma matéria-prima que resulta da decomposição de rochas. Neste curso, vais ficar a saber mais sobre a história do barro e terás ainda a oportunidade de modelar a tua própria peça.

Preço por participante: 2,20€/ Minicurso

 

9 e 10 de julho | Minicurso Artistas do Azulejo

O azulejo tornou-se um elemento de suporte para a expressão artística nacional. Neste curso, vais conhecer as técnicas de pintura em azulejo e aprender a utilizar o teu desenho neste trabalho. Vamos partilhar contigo esta experiência.

Preço por participante: 2,20€/ Minicurso

 

14 e 15 de julho | Minicurso Aprendiz de Oleiro

Sabes o que faz um oleiro? Será que ainda existe esta profissão? Neste Minicurso, vais ficar a conhecer melhor esta profissão e a sua importância ao longo da história. Vais ainda poder trabalhar numa roda de oleiro e fazer a tua própria peça.

Preço por participante: 2,20€/ Minicurso

 

16 e 17 de julho | Minicurso Decoração de Peças de Barro

Este Minicurso tem como objetivo a decoração de peças de barro. Propomos-te pintar e decorar as peças que fizeste no Museu ou outras que te vamos fornecer. Desafia a tua criatividade e imaginação!

Preço por participante: 2,20€/ Minicurso

 

21 e 22 de julho | Minicurso Com as Mãos no Barro

Como sabes, o barro é uma matéria-prima que resulta da decomposição de rochas. Neste curso, vais ficar a saber mais sobre a história do barro e terás ainda a oportunidade de modelar a tua própria peça.

Preço por participante: 2,20€/ Minicurso

 

23 e 24 de julho | Minicurso Pintura de Vidro

Vamos ajudar o ambiente? Traz um frasquinho de vidro e vem reciclá-lo com bonitas pinturas, utilizando as técnicas que te vamos ensinar. Ao longo deste curso, através do desenho e da pintura, vais poder estimular as tuas capacidades técnicas e expressivas.

Preço por participante: 2,20€/ Minicurso

 

 

 

28 e 29 de julho | Minicurso Mosaico

O mosaico é uma técnica que consiste em preencher um espaço com peças pequeninas. Neste Minicurso, vais ficar a saber que, através de um desenho teu, podes fazer um belo quadro em mosaico. Participa e surpreende-te com o teu trabalho.

Preço por participante: 2,20€/ Minicurso

 

30 e 31 de julho | Minicurso Decoração de Peças de Barro

Este Minicurso tem como objetivo a decoração de peças de barro. Propomos-te pintar e decorar as peças que fizeste no Museu ou outras que te vamos fornecer. Participa e dá asas à tua imaginação!

Preço por participante: 2,20€/ Minicurso

 

 

 

Inscrições e informações:

 

Museu de Olaria

Rua Cónego Joaquim Gaiolas

4750 – 306 Barcelos

Telefone: 253 824741

E-mail: museuolaria@cm-barcelos.pt

E-mail do Serviço Educativo e de Animação: servicoeducativo@cm-barcelos.pt

 

Horário do Museu:

Terça a sexta-feira: 10H00 – 17H30

Sábados, domingos e feriados: 10H00 – 12H30 | 14H00 – 17H30

 

Férias da Páscoa no Museu de Olaria

APRESENTAÇÃO

Nestas férias da Páscoa, se queres brincar e aprender ao mesmo tempo, o Museu de Olaria tem a solução ideal para passares dias de grande diversão: inscreve-te e participa nas atividades desenvolvidas pelo Serviço Educativo e de Animação do Museu de Olaria. As atividades destinam-se a crianças entre os 6 e os 12 anos, e permitem aos participantes conhecer e explorar de forma lúdica e pedagógica a arte de trabalhar o barro. Saber mais…

 

MARCAÇÕES

As marcações podem ser efetuadas online, através do preenchimento do formulário de inscrição. Ou por telefone – 253 824 741; ou e-mail – servicoeducativo@cm-barcelos.pt .

Joaquim Sellés Paes

Joaquim Sellés Paes, colecionador, é (re)lembrado hoje, 11 de fevereiro, pelo Município de Barcelos e em particular pelo Museu de Olaria, pelo seu grandioso contributo na doação da coleção de mais de 700 peças de cerâmica que deram origem à criação do Museu de Olaria.
Foi, também, etnógrafo, arqueólogo e crítico de arte. Conhecido por ser um entusiasta pela olaria, principalmente pela olaria de Barcelos, foi autor de diversos arti­gos, que são hoje importantes contributos para o es­tudo da olaria de Barcelos, mas também de outros locais com tradição olárica.
Ao longo da sua vida, destacou-se ainda como cavaleiro, comentador hípico e oficial de cavalaria do Exército Português. Sellés Paes, que se fosse vivo completava hoje o seu 102.º aniversário, foi acima de tudo um apaixonado por Barcelos.
Para comemorar esta data de grande importância, quer para a cidade de Barcelos e para os barcelenses, quer para os portugueses em geral, o Museu de Olaria disponibiliza online a biografia de Joaquim Sélles Paes de Villas-Boas.

Mário Ferreira da Silva – no mágico universo da cerâmica…

A Sala da Capela do Museu de Olaria recebeu em fevereiro de 2015 a exposição do ceramista Mário Ferreira da Silva.

“Porque a arte varia segundo o tempo, o espaço, a sociedade, o indivíduo e a matéria, – porque a arte – é também espírito de conquista e percurso de imaginação, – cada período, cada tempo lugar, tem o seu modo próprio de um fazer criar arte. A obra que esteve presente nesta mostra foi uma viagem no tempo, o revisitar momentos de sonho e de conquista, um percurso de investigação e de imaginação, o mutável da matéria que implica uma continuada pesquisa com momentos de sucesso mas também com algumas decepções. É o resultado da minha viagem pelo mundo da arte, mergulhado no enigmático e mágico universo da cerâmica.”

Figurado de Natal: Uma tradição que encanta gerações

O Museu de Olaria assinalou de 5 de Dezembro a 11 de Janeiro de 2014, a quadra natalícia com uma exposição alusiva ao nascimento de Cristo, tendo como forma os Presépios. Uma referência cristã à gruta em Belém onde, como nos conta a Bíblia, Jesus nasceu acompanhado de Maria e S. José.

Manufaturados nas pequenas oficinas dos mestres barristas, estas peças centram-se na representação etnográfica da Natividade .Esta aposta, que se tem repetido no tempo, visa assinalar que o Natal é profundamente marcado pela tradição dos Presépios.

Este conjunto variado de peças, divulgou e sensibilizou a criatividade dos barristas locais, mas também de outros territórios, levando até ao público, o detalhe, a cor e a caracterização das personagens que normalmente assinalam esta época de beleza ímpar.

Apostando na diversidade da abordagem e representação, a mostra, tornou patente novas dimensões da realidade que paulatinamente foram introduzidas nestas obras. 

Estas novas dimensões transportam os Presépios portugueses para uma perspetiva distinta na globalidade cristã, singularizando-os.

O hemisfério da Portugalidade de S. Sebastião

No dia 21 de novembro de 2014, na Sala Multimédia do Museu de Olaria, realizou-se a conferência “O hemisfério da Portugalidade de S. Sebastião”, no âmbito da exposição “S. Sebastião – Devoção Régia e Popular”.
A conferência foi orientada pelo Prof. Cunha e Silva e Dr. Alfredo Côrte-Real.

Representações do Mundo Rural no Figurado

Ao apresentar a exposição “Representações do mundo rural no figurado”, o Museu de Olaria penetra na idiossincrasia da arte e do ofício, desce às crateras de onde se extrai o barro e traz à superfície a obra inspirada pelo trabalho na agricultura.

Dessa simbiose resultaram produções barristas: umas mais simbólicas; outras realistas, que interpretam e retratam o quotidiano da população rural. São essas experiências de artesãos portugueses, e do Brasil e de Cabo Verde, (re)interpretadas e transformadas em obras de artesanato olárico que se mostram nestas “Representações do mundo rural no figurado”.

O Real e o Imaginário: Memória e Identidade no Figurado de Barcelos

O Figurado é a designação do produto do trabalho efetuado pelos artesãos barristas que se dedicam a modelar peças à mão, as quais na sua essência representam a realidade ou o imaginário das suas vidas quotidianas.

Os especialistas distinguem dois tipos de Figurado: sortido e estatuária. Figurado Estatuária (ou simplesmente Figurado) é a designação dada às peças de estatuária de expressão popular produzidas quase integralmente à mão. Figurado sortido diz respeito às pequenas peças feitas em grandes quantidades com recurso a moldes.

Não é possível datar o início da produção do figurado sortido, mas sabe-se que em Barcelos era muito abundante entre o início e meado do século XX. As peças possuíam uma característica muito marcante: quase todos os pequnos objetos tinham um assobio, sendo vendidos nos mercados e feiras como brinquedos, objetos de recreação.

O Figurado Estatuária (a partir de agora usar-se-á apenas a designação Figurado) remontará, pelo menos, aos finais do século XVI, havendo notas de que o Frei Bartolomeu dos Máritires se terá referido aos bonecos de barro, durante o concílio de Trento, tese que Lapa Carneiro questiona.

No seu ofício, de mãos ágeis, os barristas (e)laboram a reinvenção dos utensílios deo quotidiano em brinquedos ingénuos e figura candidamente maliciosas. Mas o Figurado é também essa outra “arte” de dimensão simbólica que exorciza mitos, lendas e medos, e eleva o artesanato em barro a uma dimensão bipolar que vagueia entre o “divino” e o “demoníaco”.

Personagem dessa tensão entre o profano e o sagrado, Rosa Ramalho, que um dia “encontrou-se com os monstros da mitologia popular”, é a artesã mais carismática da região oleira de Barcelos. Até meados do século XX, o Figurado era visto como uma arte menor. Mas com Ramalho, a peça/brinquedo deu lugar ao objeto de culto das elites citadinas.

E se Rosa – nossa e do mundo – é simbolo da capacidade criadora de um povo, o Galo de Barcelos é icone de uma certa portugalidade. De pequinino com assobilo (até à 1ª metade do século XX), a grande, colorido, altaneiro e vaidoso, feito à mão ou com a ajuda da roda de oleiro, o Galo corre mundo e eleva o nome de Barcelos e de
Portugal.

Este ofício de verga e modelar o barro à (des)medida imaginação dos barristas remonta tão longe como a profundidade das crateras esventradas na terra de onde os barreiristas extraem a sua matéria prima.

Lá longe, dos incógnitos que sedimentaram a “arte” e dos quais a história dos homens não registou nome, nem eira nem beira, até aos dias do amanhã que se vislumbra nas novas gerações, os barristas de Barcelos já foram Ramlho, Esteves, Baraça, Mistério, Sineta e Côto.

Estes, oficialmente registados, foram baús de tradição e saber que deixaram os seus familiares e conterrâneos a arte que tinham herdado do saber dos tempos!

E assim nasceram e cresceram mais Baraças, Cotas, Ramalho, Mistérios, Sapateiro, Macedo e Morgado. E assim se polvilhou e enriqueceu a região oleira de Barcelos de uma vasta e rica artesania.

Hoje, no horizonte vislumbram-se os herdeiros de todo esse caldo social e cultural: Pias, Ferreiras, Farias, Dias, Macedo, Oliveira, a mais nova geração de barristas.

E é assim que de anónimos bonecreiros, a artesãos de marca e certificação garantida, de todos eles se fez este modo de vida que reinventa a tradição e expressa as memórias e a identidade cultural da região de Barcelos.

Algumas figuras crescem, por altua ou para as festa. Surgem cabeçudos e gigantones que, acompanhados por músicos, animam e criticam, nesta velha tradição popular minhota. São coisas do barro. “Estas figuras têm a utilidade lúdica de olhar, jogar e reconstituir situações- As bandas de música e os coretos remetem para o ouvir música e dançar”. Os mias velhos procuram passar aos mais novos esta vontade transmissão de saber, as histórias de cada peça encenada, a transmissão dos mitos, a sua recriação, “inventando o que não existe senão através da imaginação”. O olhar sobre o quotidiano, os entes imagináveis, uma certa comédia humana denunciam “uma consciência sublime onde uma miséria de séculos encontrou forças para não sucumbir transfigurando-a em consciência activa, em destino assumido.”

Pelo que se disse, mas sobretudo pelo não dito, neste seu singular tempo de reabertura, o Museu de Olaria – lugar de memórias, sítio de vidas , oficina do imaginário – apresenta a exposição O Real e o Imaginário: Memória e Identidade no Figurado de Barcelos.

DesAmores – Alberto Vieira

Na mão, o ouro.
Mas o ouro é da terra,
nasce debaixo do chão,
onde se guardam os corpos depois de gastos.
Portanto, porque não perguntares-te:

A morte é de ouro?
ou
Conhecerei o amor apenas debaixo da terra?

Em todo o caso, ficarás sempre com a impressão
de que chegaste atrasado à resposta.

Alberto Vieira

Memórias à Flora da Pele – Sofia Beça convida o fotógrafo Paulo Pimenta

Mesmo que alguém fosse capaz de expressar tudo o que está no seu interior, não o conseguiríamos compreender.”*

Quatro anos depois de Escultura Cerâmica Hoje – 5 Autores Potugueses e O Antes, O Durante e O Depois releio os textos que escrevi para exposições de Sofia Beça. O percurso continua a ser desenhado no esforço de ver respondida uma inquietação humana: Qual o melhor caminho?

Talvez pelas pedras da calçada com atenção às que se soltam ou deslocam do seu lugar; ou saltitando de telhado em telhado incerta da estrutura que o sustenta; ou, quem sabe, correr sem destino atenta à sensação do vento a tocar na nossa pele, que nos congela o rosto, enquanto o corpo liberta um calor que nos humedece.

Na ausência de representações miméticas, as manifestações plásticas da Sofia Beça ficam marcadas pela utilização da cerâmica e, nos últimos anos, pela conquista de um espaçi no qual é evidente a crescente depuração, quer no tratamento da matéria, como na síntese formal.

A exposição Memórias à flor da pele transporta-nos para o que está simultaneamente longe e perto de nós ou para o modo como o passado pode ser ativado para o presente – que neste momento se torna, incontornavelmente, passado. Momentos da experiência vivenciada e acerca da qual fará sentido exaltar a intensidade ou dimensão que nos arrepia o corpo e nos abala a alma. A pele que, nos trabalhos da Sofia Beça, possui expressividade e catarse, de purgação. Pele de texturas e tonalidades que sugerem pequenas explosões contidas, automatismo quotidianos, intermináveis repetições de gestos, acções organizadas, percursos e rotinas realizadas aqui, nesta terra, com a terra, com a argila que absorve, como nós próprios Absorvemos…

Memórias à flor da pele é igualmente título de uma obra em parceria com o Paulo Pimenta. Duas reflexões sobre o si – self – de estutura  não-linear e não cronológica que resultam numa espécie de diálogo espelhado onde se gravam registos framentados através e entre os quais nos poderemos encontrar ou reencontrar. Uma escrita a duas mão que no trabalho do Paulo Pimenta é sempre entendida como um momento de partilha.

As suas fotografias são como mergulho profundos, discretos, complexos e silenciosamente perturbadores. Partilhas do sentir pelo ver e que, bem distinto do olhar desatento do quotidiano contemporâneo, se cravam em nós. São viagens de, pela e sobre vida – pelos lugares dos nossos mais diversos eus. São corpos que encarnam personagens e que espelham fantasias, fantasmas, o agridoce dos momentos, dos seres humanos, de lugares mais próprios ou mais distantes, inquietando os nossos mais íntimos segredos e medos.

Assim, exprimem-se sentimentos tão diferenciados e tão próximos como a paixão ou a mágoa, o amor ou a perda, sensações e emoções que de tão silenciosamente se conterem, parecem aproximar-se da implosão. Qual será o caminho?

Talvez encontremos resposta caminhando…, “desenhando e esculpindo a diferentes ritmos, velocidades… sem pressa, mas em direcção a um objectivo agradável (Rousseau, Jean-Jacques, 1712-1778) no qual o tempo e a maneira como se desfruta dele, sem saber o que sucederá após o passo seguinte, estimula-nos a prosseguir. Passeando, correndo, parando, avançando em direcção a… seguimos e/ou somos seguidos, tropeçamos, por vezes, caímos e reerguemo-nos… sentimos e somos sentidos, observamos e somos observados, ouvimos e somos ouvidos, entendemos e somos entendidos uma vezes mais ou melhor e outras vezes menos ou pior… emocionamo-nos e emocionam-nos“**.

Rute Rosas

* Wittgenstein, Ludwig. in Últimos Escritos sobre Filosofia da Psicologia, tradução: António Marques, Nuno Venturinha e João Tiago Proença. Edição da Fundação Calouste Gulbenkian, Serviço de Educação e Bolsas, Lisboa. 2007. p. 91.

** Rosas, Rosas. Fragmento de texto escrito a propósito da intervenção, Caminhando… 2010, in A Autocensura como Agente Poético Processual da Criação Escultórica – Projectos, Processos e Práticas Artísticas – Tese/Obra, FBAUP. 2011. p. 46.

 

Exposição Olaria Norte de Portugal

Esta exposição é composta de peças de louça utilitária pertencentes aos mais importantes centros oleiros do norte de Portugal. Este tipo de loiça respeita à olaria destinada aos usos domésticos mais comuns e dava resposta às necessidades familiares. Aqui se encontram, portanto, peças de louça preta, louça vermelha fosca e louça vidrada de Parada de Gatim, Barcelos, Guimarães, Bisalhães, Vilar de Nantes, Selhariz, Pinela, Felgar e Gondar.

Outrora utilizada em todas as casas portuguesas, a louça utilitária começou a cair em desuso a partir da década de setenta do século passado, em detrimento dos utensílios de plástico e de metal.

 

Horário ao público:
Terça a sexta-feira: 10h00 às 17h30
Sábados, domingos e feriados: 10h00 às 12h30  | 14h00 às 17h30

*Entrada Gratuita

Enclaves’ 2014 – João Carqueijeiro

A designação Enclaves’ 2014, para a exposição parece justificar-se pela sugestão de algum eclestismo aparente, que não é mais do que o resultado de anos de experimentação, investigação e maturidade, na extraordinária relação que João Carqueijeiro mantém com as matérias e os materiais  que domina magistralmente. Desse aparente ecletismo, poderei dizer que resultam enclaves dentro de um território mais conhecido e emblemático [as misturas de pastas e a inclusão da ardósia fundida], cuja bandeira se reconhece sempre, como sendo a do autor.
Reclamando um formalismo estético em todo o seu percurso [que já passou por este Museu, em 2001, numa outra Exposição Individual – Esculturas no Átrio], a obra de João Carqueijeiro remete, sempre, para os segredos dessa espécie de alquimia: a transformação da terra informe em Obra, pela ação disciplinar o indisciplinável – o fogo. São conhecidas as formas tridimensionais de grande dimensão [coexistindo ao lado de outros formatos], criando um permanente debate em torno da escultura cerâmica, impossível de não levar a sério, na nossa contemporaneidade.
Provoca no espectador a emoção estética, reclamada por Clive Bell, quando afirma:”Para a discussão estética, apenas temos de acordar em que as formas dispostas e combinadas de acordo com certas leis desconhecidas e misteriosas nos emocionam de um modo particular, e em que a tarefa do artista consiste em combiná-las e dispô-las de modo a emocionar-nos.”*
É esta tarefa que João Carqueijeiro nos apresenta, materializada neste conjunto de obras. Todas elas podem parecer o reflexo de leis desconhecidas e misteriosas [para nós, mas dominadas, plenamente, pelo autor!] . Todas elas criam espaços de culto para as emoções de cada espectador, enquanto sujeito concreto e único… sem reclamarem a representação de nada, sem incitarem, sequer, ao facilitismo da figura. São obras que se atrevem à exposição, quer para o mais incauto dos espectadores, quer para os mais versados e argutos.
Não deixam ninguém indiferente e com o mesmo olhar.

Cristina Leal

* C. Bell “A Hipotese Estética” in Carmo D’Orey “O que é a Arte?” A perspectiva analítica”. Dinalivro, 2007, p. 30-32.

S. Sebastião, Devoção Régia e Popular

São Sebastião, um dos primeiros mártires da Igreja Católica, é também conhecido como o santo protetor contra os três grandes males da Humanidade: a fome, a peste e a guerra. A devoção a São Sebastião, expandiu-se em Portugal por ação do rei D. Sebastião. A sua imagem era levada pelas naus portuguesas, como símbolo de proteção, aos quatro cantos do mundo.

No âmbito desta exposição, barristas, oleiros, pintores, escultores e artistas plásticos em geral, foram convidados a explorar a figura de São Sebastião, recriando-a e ressuscitando-a tal qual D. Sebastião, saindo das brumas, para nos manter atentos e despertos para os temas fraturantes da sociedade atual.

Nesta exposição estiveram também imagens de arte sacra e estandartes de confrarias barcelenses devotas de S. Sebastião, bem como documentos da Ordem Militar de S. Sebastião, dita da Frecha, entre outros elementos históricos e artísticos relacionados com a figura de S. Sebastião.